Como cultivar videiras, elas rendem efeito ornamental e dão frutos em pouco espaço

fevereiro 23, 2012 Nilda Silva 0 Comentários

Olá pessoal, bom dia!

A videira da espécie Vitis labrusca presta para uso ornamental e também produz frutos.
A doçura da uva está diretamente relacionada com a insolação: quanto mais sol, mais doce
Muito valorizadas por seus frutos que há milênios oferecem alimento e vinho ao homem, as videiras também podem ter uso ornamental e serem bem aproveitadas em jardins domésticos. Ao serem mantidas sobre caramanchões ou pergolados, essas trepadeiras podem adicionar altura em projetos de paisagismo e ainda prover sombra no verão. Além disso, dependendo da espécie escolhida e das condições de plantio, as parreiras de uvas podem gerar deliciosos frutos, ainda que não sejam em quantidade ou qualidade suficientes para produzir vinhos finos.

A seleção da espécie a ser cultivada e a análise das condições locais são os primeiros passos para quem quer ter uma videira bonita no jardim. O engenheiro agrônomo Jair Costa Nachtigal, pesquisador da Embrapa Clima Temperado, conta que se o objetivo é somente produzir sombra, o melhor é preferir plantas que comercialmente são utilizadas como porta enxertos. Entre as variedades indicadas para regiões tropicais estão a IAC 572 Jales, a IAC 313 Tropical e a IAC 766 Campinas. Para regiões mais frias, as variedades mais apropriadas são a Paulsen 1103, a SO4, Solferino e a Kober 5BB.

Mas se a intenção é produzir também frutos, deve-se privilegiar as americanas da espécie Vitis labrusca, também chamadas de uvas comuns ou uvas rústicas. De maneira geral, estas videiras caracterizam-se por apresentar elevada produtividade e alta resistência às doenças. Nesse grupo se enquadram a Niágara Rosada, a Niágara Branca, a Bordô, a Concord e a Concord Clone 30, entre outras.

Cultivo
Por ser uma trepadeira, a videira exige a construção de u suporte
 para a sustentação dos ramos, como pergolado,
caramanchão ou uma simples treliça
Mudas, terreno e podas




Para plantios domésticos, as mudas podem ser produzidas por estacas lenhosas inseridas diretamente no local de plantio definitivo. “Para garantir o enraizamento, podem ser colocadas duas ou mais estacas em uma mesma cova, fazendo-se irrigações periódicas, conforme a necessidade”, instrui o engenheiro agrônomo Jair Costa Nachtigal, pesquisador da Embrapa Clima Temperado, lembrando ainda que outra possibilidade é comprar as mudas prontas de produtores registrados no Ministério da Agricultura.

O paisagista Paulo Heib, que já utilizou videiras em alguns de seus projetos, conta que as exigências para manter essa frutífera no jardim não são grandes. “A planta precisa de um espaço mínimo para cultivo, mas pode até mesmo ser plantada em grandes vasos, visto que as raízes não crescem muito”, diz.

No solo, a área mínima necessária para cada exemplar gira em torno de 10 m², a depender das condições locais e da espécie plantada. Além disso, por ser uma trepadeira, é preciso a construção prévia de um suporte para a sustentação dos ramos, como pergolado, caramanchão ou uma simples treliça, normalmente de madeira ou bambu.

Embora o melhor desenvolvimento da videira aconteça em regiões de clima mediterrâneo (quente e seco no verão, com invernos mais frios e úmidos), a planta se adapta a diferentes condições climáticas, desde que haja bastante luminosidade. A insolação direta é extremamente importante e a doçura dos frutos está relacionada com o período de sol que a planta recebe.

A videira também vai bem em qualquer tipo de terreno rico em matéria orgânica, com exceção dos solos encharcados.“Há mais de 40 anos, a idéia de que, no Brasil, as videiras só se desenvolvem no clima da serra gaúcha não é mais válida. Hoje, há espécies de uvas que podem ser cultivadas com sucesso do Oiapoque ao Chuí”, revela o pesquisador da Embrapa, Jair Nachtigal.

Podas de formação e de produção são importantes para assegurar que a planta cresça forte e pujante. A poda de formação é executada desde o plantio da muda até a planta adquirir o tamanho e o formato desejados. Já a poda de produção, feita anualmente quando a planta está no período de repouso (ou seja, no inverno), serve para manter o equilíbrio entre o vigor da vegetação e a frutificação.

É importante não criar a expectativa de ter frutos rapidamente. Afinal, as videiras levam de dois a três anos para atingir o seu desenvolvimento pleno. Além disso, antes de adquirir uma muda para uso ornamental, deve-se levar em conta que a videira é uma planta sazonal. Isso significa que, durante o período vegetativo até a frutificação, apresenta-se verde e produz sombra. No entanto, após a colheita, ela perde suas folhas e, junto com elas, sua função de sombreamento.

Por se tratar de uma frutífera,
 o ideal é sempre evitar o uso de agrotóxicos
 e outros produtos que contenham metais pesados em caso de patologias
 
 Sem agrotóxicos

As videiras até são fáceis de cultivar, mas exigem bastante atenção para que se mantenham saudáveis. Os pontos mais críticos são a drenagem do solo, que deve ser muito eficiente, e as estratégias de combate a eventuais pragas e doenças. “Se é para tratar com agrotóxicos, é melhor não ter uma parreira em casa”, salienta engenheiro agrônomo Jair Costa Nachtigal, pesquisador da Embrapa Clima Temperado. Segundo ele, em casos de infestações constantes, é preferível desistir da videira e cultivar outras espécies de plantas no jardim.

Ainda mais por se tratar de uma frutífera, o ideal é sempre recorrer a soluções orgânicas. Para o tratamento contra fungos, por exemplo, uma alternativa aos químicos pesados é o uso de caldas como a bordalesa (fungicida formulado com sulfato de cobre, cal hidratada ou virgem e água) ou óleo de nim. Lagartas, formigas cortadeiras ou outras pragas, devem ser retiradas manualmente. Já se o problema for a presença de abelhas e vespas sobre os frutos, o melhor a fazer é ensacar os cachos com plástico ou jornal. A proteção dos cachos pode ser adotada também no período de chuvas contra a ocorrência de doenças decorrentes da umidade excessiva.

Fonte: UOL

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